“Saio daqui recompensado em ver, de forma concreta, aquilo que venho fazendo por amor”, disse Maurício Negro durante a FIL

“Saio daqui recompensado em ver, de forma concreta, aquilo que venho fazendo por amor”, disse Maurício Negro durante a FIL

No Theatro Pedro II, o escritor participou da abertura da agenda do projeto Combinando Palavras, onde conversou com mais de 1 mil alunos da Rede Estadual de Ensino que fizeram releituras de sua obra

O primeiro encontro do projeto Combinando Palavras durante a 22ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto reuniu o autor-ilustrador, gestor cultural e artista multidisciplinar Maurício Negro, na manhã desta segunda-feira (14/8). A atividade reuniu mais de 1 mil estudantes da Rede Estadual de Ensino que leram, estudaram e fizeram releituras de seu livro “Gente de Cor, Cor de Gente”.

Diversa, a produção dos alunos teve música, poema e desenhos, além de trocas por meio de perguntas feitas diretamente ao autor. Maurício Negro contou experiências da época em que morou em Paris, falou da mistura das diversas raízes que formam o Brasil e da beleza que a mescla cultural imprime à história do País.

Vários estudantes tiveram a oportunidade de apresentar seus trabalhos no palco do Theatro Pedro II, o que representou uma emoção a mais. A professora de Língua Portuguesa, Isadora Fagnoli, do Centro Educacional Marista Irmão Rui, explicou a escolha da escola pela obra de Maurício Negro. “Temos diversos projetos que valorizam a ancestralidade, a diversidade e a valorização da nossa cultura. E a escolha por este autor foi no sentido de aproximar os alunos da temática racial”, contou.

Para ela, o Combinando Palavras é um auxílio importante aos professores no trabalho com a literatura dentro da sala de aula. “Além dos autores clássicos, de um período mais erudito, também apresentamos escritores que abordam temas mais próximos da realidade dos alunos”, destacou a professora. 

A interdisciplinaridade é outro ponto festejado pela professora. “Fizemos um projeto junto com os professores de Filosofia e Sociologia, que abordaram a questão étnica e de diversidade, inclusive inserindo a escritora Márcia Kambeba no circuito”, revelou, referindo-se à outra autora participante do Combinando Palavras. A apresentação da escola no Theatro Pedro II teve também declamação de poema ao som de tambores. “Com o projeto, conhecemos pensamentos, pessoas e culturas diferentes. Tudo isso se encaixou e saiu o poema”, entregou Maria Eduarda Oliveira Silva, 17 anos, aluna do último ano do ensino médio. 

A estudante festejou a empatia do autor ao se colocar no lugar do outro. “Maurício é um homem branco que possui uma visão que muitas pessoas como ele não têm ao exaltar a beleza preta e indígena. Sempre fomos sucateados e esquecidos, mas ele mostrou que entende a nossa história e a nossa dor e isso nos faz sentir incríveis”, declarou Maria Eduarda.

A Escola Estadual Professora Glete de Alcântara também participou do projeto, apresentando um rap inspirado na obra de Mauricio Negro. “Foi gratificante conhecer esse autor, que é diferenciado em trabalhar questões importantes como nossas raízes, ancestralidade e a grande miscigenação brasileira”, pontuou Fernanda Alves, professora de Língua Portuguesa.

O aluno Leonardo Henrique Francine de Souza, 17 anos, comentou que encontraram no rap um elo entre os povos originários da África que foram trazidos para as Américas. “Usamos a referência de um vídeo em que o Maurício fala que não existe gente de cor, mas, sim, gente de coração. Somos um povo bastante diversificado, mas somos todos iguais”, analisou o estudante.

No encerramento, o escritor ressaltou que o projeto o recompensou em vivenciar, de forma concreta, o que ele faz por amor. “Meu trabalho só tem nexo quando há eco por parte dos leitores. Os presentes que ganhei hoje não se encontram em lojas. Foi um retorno muito especial”, disse ele, destacando que a experiência com o Combinando Palavras revigora o sentido da sua escrita. “O retorno que tive aqui mostra que o circuito está aberto e fluindo. É uma renovação que nos traz esperança”, concluiu.

Sobre a FIL

A 22ª edição da FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto teve início em 12 de agosto e vai até o próximo dia 20. Traz como tema central a proposição “Entre os extremos, as dualidades: a literatura como elo”. O evento acontece de forma presencial em 16 locais simultâneos e abertos ao público (a maioria no centro da cidade), além de dois espaços educacionais para atividades exclusivas e pré-agendadas. Para essa edição, os homenageados da FIL são: Gilberto Gil (autor), Gilberto Dimenstein (autor educação), Luiza Romão (autora local), Stella Maris Rezende (autora infantojuvenil), Danilo Santos de Miranda (patrono) e Madelaine Pires (professora). Todas as atividades são gratuitas e abertas à população, como salões de ideias, conferências, palestras, mesas-redondas, oficinas, shows, espetáculos infantis, performances, contações de histórias, saraus, projetos educacionais, entre outras. 

A programação completa da FIL pode ser acessada no site da Fundação do Livro e Leitura: https://www.fundacaodolivroeleiturarp.com/ 

Realização  

Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura apresentam a 22ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.

Patrocínio Diamante

Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient.

Patrocínio Ouro

GasBrasiliano, Savegnago e Itacuã.

Patrocínio Prata

Passalacqua, Ourofino Agrociência, Tracan e RibeirãoShopping.

Patrocínio Bronze

Supermercados Gricki e Santa Helena.

Patrocínio

Acirp, Caldema Equipamentos Industriais, Interunion, Riberfoods, Santiago e Cintra Geotecnologias, Suprir e Vantage GeoAgri.

Instituição Cultural

Sesc

Apoio

Fundação Dom Pedro II – Theatro Pedro II, Biblioteca Sinhá Junqueira, Centro Cultural Palace, Instituto do Livro, CUFA, A Fábrica, Teatro Municipal de Ribeirão Preto, Dauriti Distribuidora, Apis Flora, Stéfani Purificadores, Molyplast Brasil, Passalacqua Tech, Cenourão, Santa Emília, Coderp, Transerp, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Secretaria da Cultura e Turismo, Secretaria da Educação e Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Infraestrutura da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.

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