OCDE não quer o Brasil

OCDE não quer o Brasil

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

O Brasil quer entrar no clube restrito e selecionado dos países que formam a OCDE, Organização para a Coordenação do Desenvolvimento Econômico. Mas tudo indica ser impossível essa admissão. Por uma série de razões. É necessário explicar?

O Brasil, que foi promissora promessa verde, na década de setenta, passou a ser “Pária Ambiental”. A Amazônia é importante para o mundo, mas nosso país invoca o conceito relativizado de soberania para querer destruí-la sem pensar nas consequências. 

Mas o principal é o descaso em relação à educação básica. Houve uma explosão de universidades, às quais todas chegam. Mas chegam, infelizmente, sem saber ler. O ensino fundamental capenga. Em lugar de cumprir o artigo 205 da Constituição, que bem sintetizou as finalidades desse direito de todos que é dever do Estado, da família e da sociedade, as crianças são adestradas a decorar informações. E negligencia-se a coisa mais importante: suas competências socioemocionais. 

A OCDE, que leva a sério a educação de base, não vai ignorar que o Brasil investe um terço do que as nações desenvolvidas investem nessa faixa etária. Aqui o governo destina U$ 3,4 mil por ano e na OCDE, os países reservam U$ 10 mil anuais. Já em relação às Universidades Federais, o custo por aluno é U$ 14.417 por aluno. Nos países adiantados, o universitário fica por U$ 13.855 anuais. 

Enquanto não se inverter essa equação cruel, não haverá saída para o Brasil. As Universidades Federais custam muito, principalmente em salários. Não adianta multiplicar cursos universitários para semiletrados. Quem não aprende o letramento na idade certa, depois não consegue corrigir a falha e de pouco adianta o diploma universitário. Ele não servirá para a sobrevivência digna de um profissional despreparado para os desafios da Quarta Revolução Industrial. 

A educação ainda vai perder mais em 2023, porque o ICMS é o maior financiador da educação, que sustenta o FUNDEB, exatamente o órgão responsável pelo ensino básico. Para tornar combustíveis fósseis mais baratos, deixa-se de educar os brasileiros. 

Será que a OCDE não vai prestar atenção a tudo isso e brecar a entrada do Brasil no privilegiado grupo, até que alguém com juízo passe a levar a educação fundamental a sério?

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