O remédio é sonhar

O remédio é sonhar

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

O sonho é importante para a sobrevivência? Sidarta Ribeiro diz que sim. Ele já escreveu “Sonho Manifesto-Dez exercícios urgentes de otimismo apocalíptico” e “O oráculo da noite”. Para ele, os sonhos são geradores de cenários e soluções e se alicerçam na experiência do sonhador. 

Quando se sonha, a mente recruta áreas cerebrais relacionadas com empatia, o lado bom de nossa natureza. Isso compensa nossas inclinações violentas, pois também as temos. Herança atávica de nossas origens. 

Sidarta acompanha angustiado a “explosão vertiginosa do sofrimento planetário”, marca melancólica destes tristes tempos que nos foram reservados para peregrinar pela Terra. “Superar essa explosão de sofrimento através de uma expansão de consciência é a tarefa das gerações que estão vivas agora – e para isso precisamos reaprender a sonhar, tanto metafórica, quanto literalmente”, ele diz numa entrevista a Marcelo Leite (FSP, 8.5.2022). 

O sonho é aquela mágica viagem que se faz durante o sono, mas também é a metáfora para idealizar um futuro melhor. O autor entende que o mundo precisa de mais cooperação para se salvar. Para ele, se as dez pessoas mais ricas do planeta tivessem atuado, o mundo não teria perdido tantas vidas na pandemia da Covid19. Pois “desde o paleolítico, os seres humanos vêm se distanciando dos outros animais pelo aumento progressivo da capacidade de cooperar. A ética do cuidado foi tão ou mais importante para o sucesso da nossa linhagem quanto a ética da competição”. 

O problema do mundo não é escassez, mas falha na distribuição de bens materiais e de bens intangíveis. “Dinheiro em excesso é tóxico e causa dependência, e é possível presumir que os cerca de três mil bilionários do planeta estão, com poucas e honrosas exceções, totalmente dependentes de dinheiro”. Eles poderiam investir 99,9% de suas fortunas em causas altruísticas e continuariam a viver de forma esplêndida. Mas o não fazem e “o vício do dinheiro traz ansiedade, depressão, solidão, paranoia e enorme medo da morte. A civilização humana adoradora do deus dinheiro está doente e precisa de cura”. 

A vida é curta e para os ricos também. Acumulam e deixam conflitos para os descendentes e sorte para os advogados que os representarem no espólio. O remédio é sonhar. Sonhar é preciso. 

José Renato Nalini

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