Aline Santos Baptista acredita no poder do diálogo. Que tudo pode mudar depois de uma boa conversa. Foi assim com a professora Tania Aparecida Pereira Reis, da Escola Estadual Prof. Francisco Alves, em Cravinhos-SP, onde cursa o nono ano do Ensino Fundamental. Dona da sexta colocação no EPTV na Escola 2024, Aline alterou a proposta da redação depois de ricas trocas de ideias com Tania.
“Para começar, eu tinha feito uma redação mais formal, que é o jeito que gosto de escrever. Mas ficou parecendo uma pesquisa. A professora me incentivou a fazer algo diferente, criativo, mais sentimentalista. Confesso que não era muito a minha praia, mas topei o desafio”.
E a estudante levou justamente um diálogo para o texto “A IA e eu”. Um encontro entre uma criança e um robô dotado de Inteligência Artificial. Temerosa pelo futuro do emprego do pai, a criança questiona o robô se ele é bom o mau. E recebe, como resposta, que robôs são apenas ferramentas para auxiliar os humanos, em várias áreas do conhecimento.


A menina, que se chama Liz, convida, então, o robô a brincar com ela, mas ele afirma que não foi programado para isso. Chorando, Liz demonstra para o robô, com as lágrimas que escorrem pelo rosto dela, que existem diferenças muito significativas entre eles, como a capacidade humana de demonstrar sentimentos. Diante da afirmativa de que o robô é incapaz de sentir, mas trabalha para as pessoas “se sentirem melhor”, ela diz que ainda vai precisar crescer para entender melhor o amiguinho.
INSPIRAÇÕES
Aline descobriu o EPTV na Escola no ano passado, justamente dialogando com professores e colegas da escola. Na época, já previa participar. Apaixonada por Língua Portuguesa, começou a gostar de ler aos nove anos, estimulada pela conversa com outra professora, Carmem, de Jaboticabal, onde a estudante morava antes de se mudar para Cravinhos com a família, há cerca de um ano. “Até então, eu achava a leitura entediante. Hoje, tenho que ler, pelo menos, um livro por mês”.
A ideia de colocar uma criança para dialogar com um robô foi inspirada no filme “Wall-E”. Antes de montar a versão definitiva do texto, foi anotando várias perguntas que pudessem ser feitas à IA, em um bloco de notas. Escolheu as melhores e apostou que a receita daria certo. Mesmo assim, foi pega de surpresa com a notícia de que estava na final do concurso.
“Na escola, a professora tinha me avisado que o resultado sairia naquele dia. Quando cheguei em casa, uma amiga me mandou mensagem dizendo que tinha visto meu nome. Foi bem impactante”.
O prêmio trouxe ainda mais vontade de dialogar, para conhecer as redações dos outros vencedores, saber ainda mais sobre Inteligência Artificial, continuar escrevendo e participar de concursos. Nas horas vagas, encontra os amigos para jogar vôlei e andar de bicicleta ouvindo música. “Dá uma sensação muito boa”.
Sobre a bike, ela chega a pensar que é possível ir mais longe do que imagina. “Se você tem um sonho, se esforça que consegue”.
Com a criatividade aguçada, pensa, no momento, em seguir carreira no design gráfico – pelo qual poderá fazer brotar imagens de crianças e de robôs de vários tipos.
Para convencer potenciais clientes, Aline já tem a tática certa. Nada que uma boa conversa não resolva.
Fonte: EPTV Ribeirão





