Não caiu do céu

Rui Barbosa, cujo centenário de morte ora se celebra, é considerado um dos mais ilustres e sábios brasileiros. Erudição estupenda, fulgor de inteligência, não nasceu em berço de ouro. Seu avô, João José Barbosa, faleceu jovem e não deixou à viúva e filhos senão a casa de morada. Luiza Soares Simas, a viúva, não se deixou abater. Acomodou-se no sobrado do edifício e, à custa do aluguel do andar térreo, educou com supremo sacrifício seus filhos. João José Barbosa de Oliveira estudou medicina. É o pai de Rui Barbosa. 

Em 1835, Albino José Barbosa de Oliveira era juiz de direito em Caravelas e auxiliava os estudos secundários do primo. João José matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia em 1837, com dezoito anos. Sua preferência era pelas leis, mas a Faculdade de Direito era em Olinda e sua permanência lá seria mais dispendiosa do que em Salvador. 

O apreço pelas ciências jurídicas talvez tenha influenciado o filho Rui a estudar Direito. Embora médico, João José se envolvia com as coisas políticas e desde muito cedo. Quando ainda não tinha vinte anos, participou do movimento chamado “Sabinada”, que chegou a declarar a independência da Bahia. 

A gratidão estava no DNA da família. Mais tarde, quando Rui já era uma sumidade e já ganhara o cognome “Águia de Haia”, ele auxiliou o primo Albino a ser Presidente do Supremo Tribunal. Nos arquivos da “Casa de Rui Barbosa”, à rua São Clemente, Rio de Janeiro, consta o bilhete assinado pelo Conselheiro Manuel Dantas, então Ministro da Justiça, dirigido a Rui: “Respondo-te agora, dizendo-te em confiança, que ontem à noite, em despacho, propus e ficou resolvida a nomeação do Conselheiro Albino para Presidente do Supremo Tribunal de Justiça”. Foi o momento de o primo saldar a dívida contraída, tantos anos antes, por seu pai.

O casal Maria Augusta Viana Bandeira e Rui Barbosa continuou a frequentar o primo Albino José Barbosa de Oliveira, comparecendo a todos os encontros de família, até que este faleceu em 1889.

Já próximo do final de sua jornada, Albino queria dissuadir Rui Barbosa de ser republicano. Mais tarde, o próprio Rui percebeu que sua escolha não fora a melhor. Arrependeu-se e reconheceu a indiscutível superioridade da monarquia e a qualidade incomparável do último Imperador, o injustiçado Pedro II.

Eduardo Chimenes

Advogado especialista em Direito Previdenciário. Compartilha valiosas dicas de forma acessível e esclarecedora, para orientar os leitores sobre seus direitos e o processo de solicitação de benefícios previdenciários.

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