Cravinhos terá um novo padre na paróquia Santa Luzia em 2023

Cravinhos terá um novo padre na paróquia Santa Luzia em 2023

APÓS MAIS DE 20 ANOS À FRENTE DA IGREJA SANTA LUZIA, PADRE BETO DEIXARÁ A DIREÇÃO DA PARÓQUIA E RETORNARÁ PARA SUA CIDADE NATAL, EM MINAS GERAIS.

Padre José Humberto Motta, 50 anos, mais conhecido em Cravinhos como Pe. Beto, deixará a paróquia Santa Luzia, após 22 anos de trabalho à frente da igreja. Ele é natural do município de Ituiutaba, mas cresceu em Ipiaçu, ambas localizadas em Minas Gerais e no próximo ano voltará para seu estado natal.

O pároco iniciou a vida eclesiástica no começo dos anos 90 quando ingressou no seminário e em junho de 1998 foi ordenado ao presbitério. Confiante de seu chamado, Padre Beto optou por essa missão pela vivência da experiência de fé que despertou em seu coração o desejo de uma entrega mais ampla ao serviço de Deus e da Igreja.

Nesta semana, o Jornal A Tribuna de Cravinhos conversou com Padre Beto para falar sobre as experiências vividas por ele durante o longo período em que esteve em Cravinhos, além de abordar também quais serão os planos do pároco.

A TRIBUNA: Quando o padre chegou em Cravinhos?

PADRE BETO: Tomei posse como o primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia de Cravinhos dia 13 de dezembro de 2000 e me mudei definitivamente para a cidade no final de janeiro de 2001.

A TRIBUNA: A Santa Luzia foi a primeira igreja dirigida pelo padre?

PADRE BETO: Sim. A Paróquia Santa Luzia foi a primeira confiada a mim como Pároco, ou seja, como total responsável.

A TRIBUNA: Quais as principais experiências vividas aqui?

PADRE BETO: Estou em Cravinhos há aproximadamente 22 anos e fica difícil apontar experiências marcantes, porque foram muitas, mesmo assim tentarei citar algumas.

Dentre as mais importantes foi a de estruturar uma paróquia que antes era uma comunidade vinculada à Paróquia São José. Transformá-la em paróquia não foi um trabalho fácil, mas contei com o apoio generoso dos integrantes desta comunidade e fomos crescendo lentamente e de forma bem amadurecida e hoje temos uma paróquia profundamente estruturada na pastoral, na administração, na assistência aos necessitados e nas celebrações.

Uma experiência que muito me marcou aqui foi a disposição no serviço dos membros desta comunidade. Cada proposta que chegava era extremamente bem acolhida pelas pessoas que se envolviam de corpo e alma, com compromisso e seriedade.

Outro ponto que acho importante e admiro é a forma como muitos irmãos e irmãs estudam e buscam, por si, informações e formação. Muitas pessoas são formadas em Teologia, muitas buscam a leitura pessoal para se instruírem e terem conteúdo para servir a Deus e à Igreja com segurança.

Por fim, e não menos importante, cito a intensidade das atividades da paróquia. É bastante movimentada internamente (às vezes eu achava que não daria conta de tantos compromissos) e participativa nos eventos da Forania São José e da Arquidiocese de Ribeirão Preto como um todo.

A TRIBUNA: Qual motivo da mudança para outra cidade? O padre continuará exercendo a vida eclesiástica?

PADRE BETO: São vários os motivos de minha transferência.

Existe uma primeira razão que ninguém tem condições de entender, a não ser eu mesmo, que é um chamado de Deus (espiritualidade íntima) que me deu grandes, sérios e seguros sinais de Sua vontade pedindo-me que voltasse. Ele, Deus, precisa de mim na cidade onde cresci, Ipiaçu, e lá O servirei pelos próximos anos.

Eu pedi para voltar à minha Diocese natal (Ituiutaba) porque nunca quis sair de lá, fui obrigado pelas circunstâncias da época e agora, sob diferente realidade daquela diocese, vejo condições tranquilas para o retorno.

Minha mãe já está ficando com idade e saúde frágil e, como sou filho único, sinto a necessidade de ficar mais perto dela. Este motivo, embora importante, não é o principal e sim os enumerados acima.

Por fim, sim continuarei exercendo meu ministério em minha paróquia de origem (Ipiaçu).

A TRIBUNA: Padre Beto, o que é ser padre?

PADRE BETO: Ser padre só pode ser entendido porque quem o é. Mesmo assim cada padre tem seu jeito peculiar de ser. Particularmente ser padre pra mim é ser cristão de um jeito muito específico, servir a Cristo sempre tentando imitá-lo no que me é alcançável.

A TRIBUNA: Qual legado acredita que deixará para Cravinhos?

PADRE BETO: No mais penso que se trata da evolução espiritual, humana e física dos participantes da paróquia.

O principal legado que deixo não é mérito meu, mas de cada pessoa que se uniu de corpo e alma a mim neste tempo que vivi aqui. Construímos juntos este legado de fé, comunidade, espiritualidade e caridade.

A TRIBUNA: Quando será a última missa realizada na Santa Luzia?

PADRE BETO: Quanto ao dia da minha última Missa em Cravinhos ainda é incerto porque a posse do Pe Igor será dia 29 de janeiro de 2023, às 09:00 horas, mas devo me mudar antes para que ele possa se instalar. Dom Moacir me concedeu uns dias para descanso antes de tomar posse em Ipiaçu, dia 05 de fevereiro de 2023. Mas algumas coisas tenho que deixar em dia antes da mudança, por isso é incerto o dia em que partirei.

A TRIBUNA: Qual mensagem gostaria de deixar para os membros da Igreja Santa Luzia?

PADRE BETO: GRATIDÃO e ETERNO AMOR são os termos que resumem bem minha mensagem.

Aqui aprendi muito e vivi experiências, boas e ruins, que me ajudaram a estruturar minha vida como pessoa e como padre. A dor da despedida é inevitável, mas consola saber que o que foi construído, pela fé unida à Graça de Deus, ninguém tem poder para destruir, principalmente o Amor, por isso GRATIDÃO.

Esta paróquia, os bispos (e padres), e também esta cidade me cativaram muito e, por isso, amo de verdade este lugar. Dentro de mim levo a história de 22 anos da minha vida, este tempo é quase a metade dela. Portanto, é inevitável e também natural que este seja um ETERNO AMOR.

A cada pessoa que gosta de mim deixo uma lágrima de pesar e uma oração de bênção. A cada pessoa que não gosta de mim deixo a intenção e o pedido de que, um dia, Deus cure o coração que, não querendo, eu machuquei.

Muito obrigado e Deus seja louvado por tudo que vivemos juntos.

Por: Crislaine Messias

Fotos: divulgação

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