Sem reforma tributária, o Brasil não cresce

Sem reforma tributária, o Brasil não cresce

O pior sistema tributário do planeta é o do Brasil. Também nesse vergonhoso ranking, estamos no topo. Isso fez o país retroceder. Perdemos a oportunidade de nos industrializar de forma inteligente. A indústria, que já foi 33% do PIB, hoje alcança ínfimos 8%.

Para que as pessoas tenham ideia do atraso tupiniquim, há mais de 460 normas tributárias. Sim, quase meio milhão de leis, incluindo as federais, as estaduais e as municipais.

Um absurdo a política tributária que gera a cruel burocracia que toma horas furtadas ao trabalho e que faz estressar os empresários. Recentemente, um industrial contou que tem 30 funcionários para cuidar da burocracia fiscal e 6 para vender o seu produto, que ainda mantém a empresa em funcionamento.

Pior ainda: o nefasto sistema tributário gera uma litigiosidade patológica. A máquina judiciária não deixa de crescer vegetativamente, em quase metástase, a um custo de trilhões de reais. Numa retroalimentação de Judiciários que se consideram arrecadadores de tributos, a justificar a criação de novas estruturas a requisitar mais cargos. 

É claro que mudar essa rotina da qual extraem proveito inúmeras pessoas, dentro da escala burocrática, do direito tributário, dos que se aproveitam da confusão, não é fácil. Por isso é que mudar o pior sistema da Terra por um que equipare o Brasil a 89% das nações, encontra resistências. 

Mas é imprescindível se adote o IVA, Imposto sobre valor agregado, que não distinga entre serviço e mercadoria, aquilo que a Revolução Industrial já mostrou ser uma característica da nova sociedade digital. 

Com a Reforma Tributária, o Brasil deixará de ser essa ilha extemporânea e anquilosada e poderá resgatar o tempo lamentavelmente perdido, para tentar explorar suas magníficas potencialidades. 

A cidadania tem de se interessar pelo debate e exigir de seus parlamentares que apoiem a Reforma Tributária, sob pena de continuar a pagar bastante, a maior carga tributária do mundo, em troca de retorno pífio, indigno da condição humana e procrastinador de uma situação de iniquidade que nos coloca como alvo de crítica da civilização. 

Reforma Tributária já! E depois, se houver coragem, Reforma Administrativa. 

José Renato Nalini

Reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e Secretário-Geral da Academia Paulista de Letras. Foi presidente do TJSP e Secretário da Educação de SP. Professor universitário e palestrante.

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