Cigarros eletrônicos não combatem ou diminuem o vício e trazem riscos para a saúde

Cigarros eletrônicos não combatem ou diminuem o vício e trazem riscos para a saúde

Pneumologista afirma que os dispositivos eletrônicos para fumar não devem ser considerados alternativas ao cigarro comum, e que também possuem substâncias tóxicas

Com diversos aromas e sabores, ausência do incômodo odor típico e fumaça do tabaco, além de uma aparência mais tecnológica, quase inofensiva. As características dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), chamados de cigarros eletrônicos e vaporizadores, explicam, em parte, a rápida popularização desses dispositivos entre jovens fumantes esporádicos e entre àqueles fumantes declarados, que lutam contra o vício na nicotina e acreditam inalar menos toxinas. 

Diferente da versão de papel, que queima por combustão, o modelo funciona à base de vaporização. O dispositivo contém um líquido que, ao ser aquecido, gera o vapor aspirado e exalado pelo usuário. E segundo os fabricantes, essa seria a razão que tornaria os eletrônicos menos prejudiciais se comparados aos tradicionais. Porém, especialistas e médicos discordam e dizem que esse tipo de cigarro traz diferentes malefícios à saúde e podem causar doenças respiratórias, como o enfisema pulmonar, doenças cardiovasculares, dermatite e câncer.

Recentemente, um cigarro eletrônico explodiu na boca de um músico de 45 anos no Distrito Federal, no momento em que ele começa a fumar. Apesar das faíscas e explosão, o músico não ficou ferido.  Casos desse tipo trazem novamente à tona a discussão sobre a utilização desses cigarros eletrônicos. 

Efeitos à saúde

Segundo o médico pneumologista do Sistema Hapvida, Pedro Luiz Pompeu da Silva, os denominados cigarros eletrônicos ou vapes são mecanismos que não utilizam combustão do tabaco, e sim a produção de um vapor por corrente elétrica, o que, a indústria alega que seria menos nocivo à saúde. Porém ele refuta essa teoria, já que um dos componentes é a nicotina, que é nociva e causa dependência.

“Os efeitos sobre o organismo são vários, lembrando que se levou mais de 40 anos para se estabelecer o nexo causal entre cigarro e as várias doenças decorrentes do tabagismo, sendo que atualmente a DPCO (doença pulmonar obstrutiva crônica), que tem relação direta com o tabagismo é a terceira causa de morte no mundo, matando em média por ano 3,2 milhões”, completa.

O pneumologista explica que várias substâncias tóxicas já foram detectadas no vapor dos cigarros eletrônicos, tais como carbonilas voláteis, radicais livres de oxigênio, furanos e metais como níquel, chumbo e cromo.

“Os principais constituintes dos cigarros eletrônicos são glicerina vegetal, propilenoglicol, nicotina e agentes flavorizantes para dar sabor”, afirma. 

O médico do Sistema Hapvida também explica que inúmeros estudos já mostraram que a transição para o cigarro eletrônico na realidade diminui as chances de parar de fumar, quando comparada a métodos já estabelecidos de cessação do tabagismo, com técnicas e escolhas mais saudáveis. 

Principais riscos associados 

Dentre os malefícios do uso do cigarro eletrônico, o pneumologista enumera a diminuição do batimento ciliar e desregulação imunológica na cavidade nasal; expressão proteica alterada na superfície pulmonar; desregulação do batimento ciliar dos brônquios, responsáveis pela eliminação de partículas indesejáveis; toxicidade às células do pulmão; aumento da produção de citocinas inflamatórias; aumento da mucina MUC5AC, substância diretamente responsável ao aparecimento do enfisema pulmonar; alteração na expressão de mais de 60 genes, cujas consequências ainda hoje estamos entendendo; aumento da rigidez dos vasos sanguíneos e diminuição das trocas gasosas nos alvéolos. 

“Sabe-se que 15 minutos de vaping é o suficiente para fazer cair os níveis de oxigênio no sangue; entre outros”, conclui Pompeu. 

Médico pneumologista do Sistema Hapvida, Pedro Luiz Pompeu da Silva

Conheça nossos Parceiros

Cantinho da Amizade

Ver Empresa

ACI Cravinhos

Ver Empresa

Colégio Tom Jobim

Ver Empresa

Andraort Tintas

Ver Empresa
Mais Notícias
João Rock anuncia primeiras atrações de 2026

CPM 22, Detonautas, Os Paralamas do Sucesso, Armandinho, Criolo, Zé Ramalho e Marina Sena estão entre os primeiros nomes do line-up; pré venda de ingressos começa dia 17 de março.