RENÚNCIA

Eu queria uma vida assim com você, assim sem relógio e sem dedo em riste, sem lei e sem sociedade, sem satisfação e sem tchau! Eu queria uma vida linda assim com você, mas, felizmente, meu querer não é tudo e meu pode é limitado.

Felizmente, minha palavra se esvai e este papel se amarela. Felizmente porque o bom é a espera, a incerteza é o talvez, são molas propulsoras, porque senão a alegria não teria razão e o chegar não teria partida.

Eu queria uma vida assim com você, sem lenço e sem documento, mas, o bacana é o adeus, é a volta, é o riso depois do choro, é o hoje sofrido e o amanhã exultante. O bacana é o crescente, a renúncia, a noite mal dormida, a consciência. O bacana é a luta, é saber que existe perdão. É a dúvida do “não quero”, mas quero!

Eu queria uma vida assim com você, mas dou graças por não ter, porque só assim eu posso escrever tudo isto, só assim eu posso medir-me, posso certificar a limitação humana.

Só assim eu sei que nada sou, que vivo capengando, carregando o que dá e caindo com o que não dá. Só assim eu sei o quanto lhe quero, o quanto posso, mas o quanto não devo! Não sou móvel de utensílio, por isso permitam dialogar!

Por Beto Vaca

Beto Vaca

Proprietário do peculiar "Bar do Beto Vaca", é uma figura icônica e lendária de Cravinhos com personalidade carismática. Beto compatilha suas experiências de vida, pensamentos e ótimas histórias.

Pular para o conteúdo