O FILEIRÃO E A SUA OUTRA HISTÓRIA 

O FILEIRÃO E A SUA OUTRA HISTÓRIA 

Era uma vez uma moça que estava grávida e teve muita vontade de chupar mangas. De repente, lembrou-se que na fazenda próxima a casa dela havia uma imensa mangueira, muito bonita e com frutos maduros. Então, decidiu ir lá buscar algumas mangas, mas não percebeu que estava escurecendo. 

Enquanto caminhava só pensava nas mangas; chegou perto da fazenda onde estava a mangueira e resolveu entrar de mansinho para não incomodar o dono. Enquanto tentava apanhar os frutos jogando pedras na mangueira, seu Zé, que era o dono da fazenda, despertou do seu sono e ficou curioso com o barulho lá fora. O fazendeiro se perguntou:

– O que será que me perturba a essas horas? 

Então, pegou sua faca e foi conferir o que estava acontecendo, mesmo sem enxergar muita coisa naquela escuridão. Seu Zé nada encontrou, mas ficou intrigado, pois perto da sua mangueira avistou um par de sapatos femininos. A moça, quando percebeu que o dono da fazenda poderia estar vindo, conseguiu se esconder atrás de outra árvore e, ainda com medo, suspirou. 

– Ainda bem que saí das vistas dele, podia ser o dono da mangueira. 

Ela esperou o fazendeiro entrar em casa, pegou mais três mangas e foi embora. 

No outro dia de manhã, depois de tomar café varanda da sua casa, seu Zé foi caminhar e viu o par de sapatos perto da mangueira. Nesse momento se lembrou da noite anterior. Passou o dia inteiro querendo saber de quem eram aqueles sapatos. Quando anoiteceu seu Zé esperou na varanda para saber se o barulho da noite passada iria se repetir ou se a dona viria buscar seus sapatos. Esperou, esperou, esperou e nada aconteceu. Seu Zé então cansado resolveu acabar com aquela espera. A moça já estava novamente atrás da mesma árvore e esperou alguns minutos depois que o dono da fazenda entrou em casa. Ela estava grávida e, talvez por isso, com muita vontade de comer mangas. 

Quando se sentiu segura, saiu do seu esconderijo, pegou algumas pedras e começou a jogar na mangueira. Seu Zé, quando escutou novamente o barulho, pegou sua faca e correu para o quintal. Dessa vez a moça não conseguiu se esconder a tempo e foi pega pelo dono da fazenda. Quando ela viu a faca na mão do seu Zé, ficou assustada e gritou: 

– Por favor, não me mate, estou grávida! 

Mas o fazendeiro estava com tanta raiva que nem ouviu o que ela tinha dito. Só depois ele percebeu e ficou desesperado. Pegou sua carroça e levou a moça para o hospital. Arrependido prometeu à moça que plantaria mais de mil mangueiras para que todo o bairro pudesse chupar muitas mangas. 

Essa é umas das histórias contadas sobre o famoso Fileirão de Cravinhos. Até hoje as fileiras de mangueiras servem para que muitos moradores possam chupar muitas mangas. 

Autores(as): Damaris Evangelista Xavier, Bruno José de Souza Crisostomo, Bruna Borges dos Santos, María Aparecida de Souza Vicente, María Eduarda Rodrigues da Silva, Greiciellem Merlím dos Santos.

História retirada do Projeto Nossa História na Biblioteca: Algumas Histórias de Cravinhos

Beto Vaca

Proprietário do peculiar "Bar do Beto Vaca", é uma figura icônica e lendária de Cravinhos com personalidade carismática. Beto compatilha suas experiências de vida, pensamentos e ótimas histórias.

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