Amor e sexo

O Brasileiro é, antes de tudo, um infiel. Poderia ter dito Euclides da Cunha, que conheceu na pele o problema. E nas costas.

Mas nem todos, diriam os mais jovens, correto. Mas eu estou a me referir à minha geração, dos meus pais e meus avós. Não é preciso deitar em nenhum divã de psicanalista para entender o que aconteceu com a minha turma.

Para nós, no começo dos 60, amor e sexo eram duas coisas completamente distintas. As namoradas não “deixavam” nada. Não se “ficava”, naquele tempo, imagine. A gente, depois de uns 15 dias, pegava na mão. Beijo na boca, só uns seis meses depois. E ficava nisso. Sexo, jamais, impossível. Todo mundo tinha sua namorada, muitos casaram com elas. Depois do namoro, íamos para a zona. Lá não tinha amor, tinha sexo, com desclassificadas prostitutas interioranas. Mas, aqui na capital, acontecia o mesmo. Sexo com amor não existia.

Portanto, para nós, a divisão ‘amor/sexo’ era absolutamente normal. Para nós, até então, uma coisa não tinha nada a ver com a outra. A primeira vez que fiz amor e sexo junto foi um desastre. A namorada sentou-se na cama e me disse: “- Não é nada disso”. E começou a falar de coisas que eu nunca tinha imaginado.

Carinho, por exemplo, nunca tinha feito carinho numa prostituta, é claro.

Essa namorada me ensinou a fazer amor com sexo. Foi uma grande descoberta para mim. Sei até o dia.

Portanto, a minha geração, no início, traia-se naturalmente, sem culpa. Hoje, com um pouco de culpa, com um certo remorso.

Beto Vaca

Proprietário do peculiar "Bar do Beto Vaca", é uma figura icônica e lendária de Cravinhos com personalidade carismática. Beto compatilha suas experiências de vida, pensamentos e ótimas histórias.