Agro é mesmo pop?

Agro é mesmo pop?

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

O agronegócio é legítimo orgulho brasileiro. Foi o que permitiu não registrássemos, anos seguidos, um vexaminoso déficit na balança comercial. Por isso a preocupação com mantê-lo desenvolvido e atualizado, valendo-se das mais modernas tecnologias. 

Todavia, o ufanismo pode levar o setor a cometer equívocos. O mais preocupante deles é a aprovação, na Câmara dos Deputados, por expressiva maioria – 301 a 150 – do chamado “PL do veneno”. Flexibiliza o ingresso no Brasil de todos os pesticidas sobre os quais existem certeza e dúvida quanto a serem cancerígenos, causas de má formação de fetos e outras desgraças.

A propaganda a favor, patrocinada por aqueles que extraem renda e querem lucrar ainda mais, menciona a demora na aprovação de pesticidas, em casos que teriam levado até oito anos. 

Agora, ao extrair Anvisa e Ibama da responsabilidade por autorizar o ingresso desses venenos no país, mais uma boiada é solta contra o ambiente, contra a saúde, contra a agricultura séria. E contra o lucro esperado pelos grandes negociantes do agronegócio. 

Por que? A China já fora ofendida há alguns anos e resolveu impor barreiras ecológicas às exportações brasileiras. Povo trabalhador, disciplinado, levou a sério a intenção do governo de ser autossuficiente na produção da soja. Sabe-se que a China investiu na África, cujo clima é tão semelhante ao Brasil e também desenvolve tecnologias avançadas em seu próprio território.

Acrescente-se a grande perda na produção de soja brasileira em virtude do aquecimento global. Essa derrota é celebrada nos Estados Unidos com verdadeiro alívio e, para a China, todos esses ingredientes – ofensa, desmatamento, grande perda da colheita por fatores climáticos, um argumento a mais para deixar de comprar soja do Brasil é que ela poderá estar envenenada. 

De tanto festejar vitória, parece que os “cérebros” da agricultura se esqueceram de que não há bem que dure para sempre. O mundo, à exceção do Brasil, leva a sério as questões climáticas e de saúde pública.

José Renato Nalini

 

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