Vacinação e hábitos saudáveis ajudam a prevenir formas graves de infecções respiratórias

Vacinação e hábitos saudáveis ajudam a prevenir formas graves de infecções respiratórias

Médico orienta sobre importância da imunização, da hidratação, do sono e dos cuidados com os grupos de risco.

A prevenção de gripes, pneumonias e outros quadros respiratórios no período de frio depende de um conjunto de medidas. Vacinação em dia, boa hidratação, alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e controle de doenças crônicas ajudam a reduzir o risco de agravamento, especialmente entre pessoas mais vulneráveis.

O médico Ramiro Teixeira Hernandes, coordenador do Núcleo de Atenção à Saúde da Unimed Federação Nordeste Paulista, explica que a imunização é uma das principais estratégias para evitar hospitalizações e mortes por doenças respiratórias. “A vacinação pode impedir a infecção em alguns casos ou amenizar a gravidade em outros”, afirma.

O alerta vale principalmente para idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos e profissionais de saúde. Entre as vacinas indicadas para diferentes grupos estão as de gripe, Covid-19, pneumocócica e, em situações específicas, a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório, conhecido como VSR.

Imunização contra gripe é recomendada a cada temporada

A vacina contra a gripe deve ser atualizada anualmente porque os vírus da Influenza em circulação podem mudar de uma temporada para outra. A imunização é indicada especialmente para pessoas com 60 anos ou mais, crianças, gestantes, puérperas, pacientes com doenças crônicas e trabalhadores da saúde, entre outros grupos definidos pelas autoridades sanitárias.

Foto: Divulgação


Hernandes esclarece que a vacina não causa gripe. Quando uma pessoa apresenta sintomas logo após a aplicação, em geral, já estava em período de incubação ou ainda não havia desenvolvido resposta imunológica. “A vacina da gripe não é o agente viral vivo causando a doença. São fragmentos que o organismo reconhece para produzir defesa”, explica.

O objetivo principal, especialmente nos grupos de risco, é reduzir a chance de complicações, internação e morte.

Covid-19, pneumococo e VSR também exigem atenção

A vacinação contra Covid-19 continua indicada para grupos de maior risco, conforme o calendário vigente. Idosos, imunossuprimidos, gestantes e pessoas com comorbidades devem manter a orientação vacinal atualizada.

Outra proteção importante é a pneumocócica, voltada à prevenção de doenças causadas pelo pneumococo, bactéria associada a pneumonias, meningites e infecções invasivas. Para grupos com condições clínicas especiais, o Ministério da Saúde incorporou em 2026 a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, que amplia a cobertura contra diferentes sorotipos da bactéria.

De acordo com Hernandes, a vacina pneumocócica não impede todos os episódios de infecção respiratória, mas ajuda a reduzir quadros graves. “Ela diminui muito o risco de internação, de UTI e de doença invasiva”, pontua.

Para gestantes, a proteção contra o VSR também merece atenção. O vírus pode causar bronquiolite grave em bebês. A vacinação materna, quando indicada durante a gestação, permite a transferência de anticorpos para a criança e contribui para a proteção nos primeiros meses de vida. “A gestante cria anticorpos e passa essa proteção para o bebê”, explica o médico.

Alimentação, hidratação e sono interferem na resposta do organismo

Além das vacinas, hábitos diários influenciam a capacidade de resposta do corpo. A hidratação ajuda a fluidificar secreções e pode favorecer a recuperação em quadros respiratórios. A alimentação equilibrada contribui para manter o estado nutricional adequado.

Dietas pobres em nutrientes ou restrições alimentares importantes podem levar a déficits vitamínicos e prejudicar a defesa do organismo. “A imunidade também está relacionada ao estado nutricional. Quem tem hábitos alimentares saudáveis provavelmente terá uma condição melhor de defesa”, afirma Hernandes.

O sono também tem papel relevante. Dormir mal, manter rotina irregular ou usar telas na cama pode prejudicar a qualidade do descanso. Para o médico, o sono tem função reparadora e faz parte da manutenção da saúde.

A atividade física regular contribui para a capacidade cardiorrespiratória. Pessoas sedentárias podem sentir mais os efeitos de uma infecção porque têm menor reserva funcional diante de situações de estresse para o organismo.

Tabagismo aumenta vulnerabilidade

O tabagismo é um fator de risco para complicações respiratórias. O cigarro reduz defesas locais, compromete o tecido pulmonar e diminui a capacidade respiratória ao longo do tempo.

Mesmo uma infecção moderada pode ter impacto maior em quem já apresenta comprometimento pulmonar. “O cigarro tem efeito cumulativo. A pessoa pode até ter benefício ao parar, mas parte da perda já aconteceu”, observa Hernandes.

Pacientes com doenças pulmonares crônicas, asma, bronquite ou DPOC devem manter acompanhamento médico, vacinação atualizada e atenção aos primeiros sinais de piora.

Proteção individual também protege a família

Hernandes alerta que a vacinação e os hábitos preventivos também devem ser vistos como formas de proteção coletiva. Em uma mesma casa, uma pessoa saudável pode ter sintomas leves e transmitir a infecção para alguém mais vulnerável. Por isso, evitar contato próximo quando estiver doente, usar máscara em caso de sintomas, higienizar as mãos e ventilar ambientes são medidas que protegem não apenas o indivíduo, mas também familiares, colegas de trabalho e pessoas em maior risco.

“A vacina é importante para a própria pessoa e para a família. Quando muita gente se vacina, diminui também a circulação dos agentes infecciosos”, afirma. Para reduzir riscos no período de frio, a orientação é combinar imunização, hábitos saudáveis e atenção aos sintomas. Quando houver sinais de agravamento, a busca por atendimento médico deve ser feita sem demora, principalmente nos grupos mais vulneráveis. “A prevenção é uma oportunidade que temos hoje para evitar o surgimento da doença ou, quando isso não é possível, reduzir sua gravidade”, conclui Hernandes.

Principais vacinas relacionadas à prevenção de quadros respiratórios graves

As recomendações de vacinação variam conforme idade, condição de saúde, histórico vacinal e calendário vigente. A orientação é verificar a situação vacinal nas unidades de saúde ou com o médico de referência, especialmente no caso de idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.

Influenza/gripe – A vacina contra a gripe é anual. Em 2026, a vacina trivalente protege contra três cepas: Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B, linhagem Victoria. A imunização é recomendada especialmente para pessoas com 60 anos ou mais, crianças, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos, profissionais de saúde e outros grupos prioritários.

Covid-19 – A vacinação continua indicada para grupos com maior risco de doença grave, como idosos, gestantes, imunossuprimidos, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde e crianças nas faixas previstas no calendário nacional. Entre as vacinas atualizadas disponíveis no país estão a Comirnaty, da Pfizer, e a Spikevax, da Moderna, formuladas para ampliar a proteção contra variantes em circulação.

Pneumocócicas – As vacinas pneumocócicas ajudam a prevenir doenças causadas pelo pneumococo, bactéria associada a pneumonias, meningites, bacteremias e otites. Entre as formulações disponíveis estão a pneumocócica conjugada 13-valente, a 15-valente, a 20-valente e a pneumocócica polissacarídica 23-valente. A indicação varia conforme idade, histórico vacinal e presença de doenças crônicas ou condições clínicas especiais. Em 2026, o Ministério da Saúde incorporou a vacina pneumocócica conjugada 20-valente para grupos específicos.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) – O VSR é uma das principais causas de bronquiolite em bebês. Para gestantes, a vacina contra o VSR pode ser indicada a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de transferir anticorpos ao bebê e protegê-lo nos primeiros meses de vida (Imunidade passiva). Para recém-nascidos e bebês de maior risco, há ainda anticorpos monoclonais, como o nirsevimabe, indicados principalmente para prematuros e crianças pequenas com determinadas comorbidades.

VSR em adultos e idosos — Vacinas como Abrysvo e Arexvy têm indicações específicas para adultos e idosos, especialmente em situações de maior risco, conforme avaliação médica e disponibilidade. As recomendações podem variar de acordo com idade, doenças associadas e histórico de saúde.

Sobre a Unimed Nordeste Paulista

A Unimed Nordeste Paulista – Federação Intrafederativa das Cooperativas Médicas (UFENESP) foi fundada em 16 de agosto de 1996 com o propósito de integrar e fortalecer as cooperativas médicas da região. Inserida no Sistema Unimed, atua como instância de coordenação, suporte técnico, institucional e estratégico para suas 17 Unimeds associadas, contribuindo para a gestão, a padronização de processos, o alinhamento institucional e a disseminação da filosofia cooperativista entre dirigentes, médicos cooperados e colaboradores.

Integram a Unimed Nordeste Paulista as Unimeds Singulares de Alta Mogiana (Orlândia), Araraquara, Barretos, Batatais, Bebedouro, Franca, Ibitinga, Jaboticabal, Mococa, Monte Alto, Norte Paulista (Ituverava), Pitangueiras, Ribeirão Preto, Santa Rita/Santa Rosa/São Simão, São Carlos, São José do Rio Pardo e Sertãozinho.

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