Trabalho Temporário abre oportunidades para refugiados no Brasil

Trabalho Temporário abre oportunidades para refugiados no Brasil

Parceria da ASSERTTEM com agência da ONU conecta empresas a profissionais qualificados, facilita a inserção no mercado de trabalho formal e apoia o recomeço no país.

O Brasil se consolidou como um dos principais destinos de acolhimento de pessoas refugiadas na América Latina, diante do avanço de crises humanitárias, conflitos e violações de direitos em diferentes regiões do mundo. De acordo com o ACNUR Brasil, agência da ONU para refugiados, mais de 977 mil indivíduos vivem hoje no país em necessidade de proteção internacional, incluindo mais de 162 mil já reconhecidos e com documentação regular. Nesse cenário, o Trabalho Temporário se apresenta como uma alternativa formal de inserção no mercado, ao aproximar empresas de profissionais qualificados e contribuir para a reconstrução de trajetórias no país.

De acordo com a ASSERTTEM (Associação Brasileira do Trabalho Temporário), a contratação pelo regime previsto na Lei Federal nº 6.019/74 e no Decreto nº 10.854/2021 é plenamente legal no Brasil. A modalidade permite a atuação por meio de agências de Trabalho Temporário, com alocação em empresas para atender a demandas transitórias, com prazo limite de até 180 dias, prorrogáveis por mais 90 dias. Já para as organizações, o modelo assegura agilidade, segurança jurídica e conformidade.

Os refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição possuem documentos de identificação, CPF e autorização para trabalhar regularmente no Brasil, além de acesso à Carteira de Trabalho Digital. Portanto, o Trabalho Temporário facilita o acesso desse público ao mercado de trabalho formal, com direitos como remuneração equivalente, FGTS, férias proporcionais e cobertura previdenciária.

Segunda a ASSERTTEM, Trabalho Temporário tem papel relevante na inclusão de pessoas refugiadas no Brasil. (Divulgação)


“O Trabalho Temporário tem papel relevante na inclusão de pessoas refugiadas, especialmente por permitir uma inserção mais rápida no mercado formal. Para muitos, é o primeiro emprego no Brasil, o que representa dignidade e a possibilidade de conquistar a autonomia financeira. São profissionais que reconhecem a importância dessa chance e demonstram elevado comprometimento, o que reforça o valor dessa integração tanto para as empresas quanto para a sociedade”, afirma Alexandre Leite Lopes, presidente da ASSERTTEM.

Segundo ele, essa integração também ajuda a reduzir a escassez de mão de obra enfrentada por diversos setores da economia, ao ampliar o acesso das empresas a profissionais disponíveis e qualificados. Lopes ainda afirma que a contratação dos refugiados enriquece o ambiente de trabalho. “São profissionais com vivências diversas, que frequentemente falam mais de um idioma e trazem bagagens culturais distintas. Esse conjunto favorece a troca de conhecimento e impulsiona a inovação nas equipes”, complementa Lopes.

Inclusão

A ASSERTTEM integra o Fórum Empresas com Refugiados, iniciativa do ACNUR Brasil em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, que reúne empresas comprometidas com a inclusão dessa população no mercado. Os resultados já são percebidos: levantamento do Fórum indica que 28,3% das empresas participantes já utilizam o Trabalho Temporário, o que reforça o papel do regime jurídico como alternativa viável para a inclusão desse público no mercado formal. A combinação entre rapidez na contratação e segurança jurídica tem favorecido o acesso às oportunidades compatíveis com suas qualificações, ao mesmo tempo em que atende às demandas das empresas.

Além disso, a pesquisa do Fórum mostra que as nacionalidades mais presentes nas contratações gerais pelas companhias participantes incluem pessoas vindas da Venezuela, Haiti, Angola e Cuba. As empresas também relatam ganhos em engajamento, produtividade e retenção, além da ocupação de funções técnicas e de vagas em regiões com escassez de profissionais.

Segurança e direitos garantidos

Como parte do processo de acolhimento e inclusão, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) ressalta que trabalha para assegurar que esse público se sinta protegido. Além disso, atua com governos e parceiros para encontrar soluções de longo prazo para que possam encontrar um lugar seguro para chamar de lar.

“Nosso trabalho passa também por apoiar estas pessoas a acessarem seus direitos e conquistarem um emprego decente e seguro para reconstruírem suas vidas. Neste sentido, o Trabalho Temporário é uma opção formal e legal de contratação. É uma porta de entrada para estas pessoas no mercado brasileiro, para que elas possam se desenvolver e se adaptar melhor. Ter a ASSERTTEM como membro do Fórum Empresas com Refugiados abre mais oportunidades a esta população que tem tanto a contribuir com talento e conhecimento”, conclui Paulo Sérgio de Almeida, Oficial de Meios de Vida e Inclusão Socioeconômica do ACNUR Brasil.

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