Aparecido Donizete Bertholetti, 64 anos, é pedreiro de profissão, mas artesão por paixão. Natural de Cravinhos, sr. Cido, como também é chamado, é casado há 30 anos com a dona Marclis. “Eu sou cravinhense com muito orgulho, estou com minha esposa há 30 anos e, além dos nossos filhos, hoje cuido de dois netos que me chamam de pai”, falou.
Há cerca de uma década, Aparecido deixou de olhar as madeiras como ‘restos’ e passou a ver que, com criatividade, a partir delas poderiam surgir belas peças. “Faz 10 anos que eu comecei a trabalhar com os paletes. No início eu só fazia reformas, mas depois comecei a ter ideias, pois Deus me deu sabedoria e aí passei a produzir”.
O despertar do sr. Cido para o trabalho com os paletes surgiu de forma inusitada. “Eu precisava comprar um painel para sala e um porta fotos pra colocar em casa, aí eu e minha mulher fomos na loja, porém achei tudo muito caro. Foi aí que minha esposa virou pra mim e falou pra eu tentar fazer. Foi assim que surgiu meu primeiro projeto”.
Hoje, Aparecido coleciona cerca de 40 projetos autorais e muitos trabalhos foram feitos a partir de madeiras descartadas. “Hoje eu tenho uns 40 projetos prontos e todos com ideias originais, pois eu não faço desenho, gosto que as ideias saiam da minha cabeça pra diferenciar um projeto do outro. Posso fazer quase tudo com os paletes. Muitas vezes acho a matéria-prima na rua, vou lá e crio uma peça nova”.
Dentre todas as peças que já fez, o artesão tem uma que é especial e foi feita depois que ele sofreu um pequeno acidente. “Eu tenho um armário em casa que é minha peça preferida. Ele grande, pesado, feito com madeira maciça, coisa boa e de qualidade”.
Sr. Cido contou que a confecção do armário surgiu a partir de uma história engraçada. “Eu estava fazendo uma mesinha de palete, aí fui abrir a porta do armário que eu tinha em casa e a porta caiu no meu pé e me deixou irritado. Depois disso decidi que ia fazer um armário. Minha mulher chegou até a duvidar. Levei 2 meses pra fazê-lo só usando uma makita, chave de fenda e um serrote velho, mas o armário está lá, pronto. Porque quando alguém duvida da nossa capacidade, temos que mostrar que somos capazes”.
O artesão já deixou claro que pretende continuar fazendo suas peças, pois é algo que lhe traz alegria e lhe dá a chance de colocar seu talento em prática. “Eu vou continuar fazendo minhas peças e usando a sabedoria que Deus me deu para fazer os projetos de paletes. Eu sei que alguns acham que o uso dos paletes é uma bobagem, mas muitas vezes quando precisam, é do palete que vem a ajuda”, concluiu.
Reportagem: Crislaine Messias













