Fibromialgia e dor crônica agora podem ser reconhecidas como deficiência: lei já está em vigor

Fibromialgia e dor crônica agora podem ser reconhecidas como deficiência: lei já está em vigor

Durante anos, quem convive com fibromialgia, fadiga crônica e outras síndromes de dor enfrentou um problema que vai além da própria doença: a falta de reconhecimento. A dor é real, o cansaço é constante e, muitas vezes, invisível aos olhos do Estado e da sociedade. Esse cenário começou a mudar.

Desde 19 de janeiro de 2026, está em vigor a Lei nº 15.176/2025, que passou a admitir, de forma expressa, que pessoas com fibromialgia e condições semelhantes podem ser reconhecidas como pessoas com deficiência, desde que preenchidos determinados critérios.

É importante deixar algo muito claro: a lei já está valendo. Isso significa que pedidos administrativos e ações judiciais já podem se basear nessa nova legislação. O reconhecimento, contudo, não é automático.

A lei exige a realização de avaliação biopsicossocial, feita por equipe multiprofissional. Não se analisa apenas o diagnóstico médico, mas o impacto da doença na vida prática da pessoa, como limitações para o trabalho, dificuldades nas atividades diárias e aspectos emocionais e sociais.

Em outras palavras, não basta ter o diagnóstico. É necessário demonstrar como a doença compromete a autonomia e a participação plena na sociedade.

Além do reconhecimento como pessoa com deficiência, a lei trouxe avanços relevantes, como:

– Atendimento especializado, com atuação conjunta de médicos, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais.
– Capacitação dos profissionais de saúde, para melhorar o diagnóstico e o tratamento.
Incentivo à inclusão no mercado de trabalho, respeitando as limitações impostas pela doença.
– Possibilidade de criação de um cadastro específico, para facilitar o acesso a políticas públicas.

Na prática, essa mudança abre caminho para o acesso a direitos que antes eram frequentemente negados, como o BPC/LOAS, a aposentadoria da pessoa com deficiência e, em alguns casos, benefícios por incapacidade.

Para quem convive com dor crônica, a orientação é simples, mas essencial: organize toda a documentação médica. Exames, laudos, relatórios e histórico de tratamento fazem diferença decisiva na hora da avaliação.

A lei não resolve todos os problemas. Mas representa um avanço importante no reconhecimento de uma realidade que, por muito tempo, foi ignorada.

Eduardo Chimenes

Advogado especialista em Direito Previdenciário. Compartilha valiosas dicas de forma acessível e esclarecedora, para orientar os leitores sobre seus direitos e o processo de solicitação de benefícios previdenciários.